O Rochedo no qual
a Divina Providência
fez brilhar a luz de uma grande vocação!

Por vezes na História aparecem grandes homens, e quando estes são também grandes santos, humildes e castos, deles nascem maravilhas para o mundo.
São Bento foi um grande homem e um grande santo que decidiu corresponder inteiramente ao chamado divino.
Por isso tornou-se o fundador da Ordem religiosa que seria a árvore de cujos frutos brotariam todas as sementes que, espalhadas, germinariam e floresceriam na Cristandade europeia.

Séculos e séculos de subir e descer de homens que consagraram a vida a Deus, renunciando a todas as alegrias e pompas do mundo para viverem entre essas pedras, pensando no Céu.
Imaginemos, durante o dia, abrir-se aquela janela com vitrais elaborados à maneira de fundos de garrafa, e aparecer por detrás um monge com capuz, braços cruzados debaixo do escapulário, e olhando…
Nas margens desse caminho nada foi plantando pelo homem, tudo está como a natureza pôs. No primeiro dia, quando esse solo saiu das mãos de Deus, era possível que fosse mais ou menos assim.
Há, entretanto, uma intimidade entre quem passa por esta pequena via e a vegetação que a ladeia, cujo exalar de vida nada interrompe, dando-nos a impressão de existir uma íntima amizade com todo esse mundo vegetal rumo ao céu azul que se entrevê lá no fundo, e faz até pensar no Céu da eternidade.

Sente-se uma paz nesse ambiente! Uma pessoa que ali entrasse cheia de torcidas e de preocupações, e seguisse por essa estradinha, chegaria ao outro lado inteiramente tranquilizada. O que isso tem de lindo?
Viveu ali um Santo, o Patriarca dos monges do Ocidente, isto é, o primeiro de toda a gloriosa coorte de monges, o qual teve como filhos espirituais, nesse lugar, homens canonizados, além de quantos outros que, embora não canonizados, também estão no Céu.
É o ambiente próprio do homem à procura da santidade; eis a bênção que São Bento deixou.
Analisando Subiaco, nasce a pergunta: O que há dentro disso?
A resposta que vem ao espírito é esta: a sacralidade beneditina.
É uma paz, não a da modorra de um comodista, mas uma paz de algo que tem vida intensa dentro de si.
Vida, por sua vez, não agitada, espancada, surrada, mas com refrigério, luz e paz que se sentem naquele lugar não se sabe bem no quê, e dá a impressão de estar São Bento presente ali.
Há lugares sagrados que conservam uma como que impregnação dos personagens e dos fatos ali ocorridos. Aquele ambiente fica mais ou menos marcado, fazendo-nos sentir algo do que ali se passou.
Por causa disso, a grande alma de um Santo pode se fazer sentir por séculos e séculos, no lugar onde ele viveu e praticou a virtude. É, pois, a grande alma de São Bento que sentimos ali.
Olhar reto, puro, todo voltado para as coisas de Deus, contemplativo e sério!
Olhar sério, até com alguma coisa de severo, mas no qual há um mundo, um céu!
Se um de nós o encontrasse, teria vontade de ajoelhar-se diante dele e pedir: “Pai, dizei-me no que pensais!”
Imagino que ele responderia sem olhar para quem pediu, desfiando o seu pensamento inteiro, com um timbre de voz partindo do fundo de sua laringe possante, num pescoço alto, como se fosse o tocar de um sino.

Vem-me à memória um episódio encantador da vida desse Santo:
A governanta de São Bento deixou cair uma vasilha emprestada, que se desfez em cacos. Já é uma coisa aborrecida romper algo que nos pertence, quanto mais quebrar um objeto emprestado de outra pessoa; é uma espécie de vexame.
Ela ficou muito aflita e São Bento a viu chorar.
Desejando, então, restabelecer a paz de alma daquela senhora, São Bento se ajoelhou, rezou e a vasilha se recompôs miraculosamente.
Ele voltou-se com naturalidade para a mulher, sem excitação nem angústia, e disse: “Aqui está a vasilha!”

Quem está tão em presença de Deus, e paira tanto acima dos acontecimentos, sabe que a Providência resolverá para ele os casos; esse não tem aflição.
São Bento caminha sério, recolhido, severo até, de uma severidade admirável, e tem rumo para tudo; confia em Deus, ainda quando ele não saiba qual será a solução do problema. Deus lhe dará confiança. E por isso os vendavais torpes da vida não sopram sobre ele. Ele avança majestoso, bondoso, com a alma firme, e sacralizando tudo pela sua presença.
Plinio Corrêa de Oliveira
(Extraído de conferência de 6/7/1985)
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São Bento, rogai por nós!